quinta-feira, 27 de setembro de 2012

EDUCAÇÃO QUILOMBOLA: AS LUTAS DAS COMUNIDADES QUILOMBOLAS E DAS COMUNIDADES NEGRAS RURAIS DO MUNICIPIO DE POCONÉ/MT POR ESCOLAS PUBLICAS DE QUALIDADE


EDUCAÇÃO QUILOMBOLA: AS LUTAS DAS COMUNIDADES QUILOMBOLAS E DAS COMUNIDADES NEGRAS RURAIS DO MUNICIPIO DE POCONÉ/MT POR ESCOLAS PUBLICAS DE QUALIDADE

 Prof.Dr. Antônio Eustaquio de Moura
Universidade do Estado de Mato Grosso/Campus de Cáceres

Antônio Sidney Miranda Silva
Universidade do Estado de Mato Grosso/Campus de Cáceres  (voluntário do Projeto de Extensão “Nós e os Outros...”

 

RESUMO
            A educação formal é muito valorizada pelas famílias das comunidades quilombolas e comunidades negras rurais de Poconé. 

            No 1º Encontro das Comunidades Quilombolas e das Comunidades Negras Rurais de Poconé, realizado em 2006, os moradores e as moradoras destas comunidades colocaram como uma das primeiras reivindicações a melhoria da estrutura e do funcionamento das escolas onde estudam alunos e alunas das comunidades.

             Em 2011, a Executiva da Coordenação das Comunidades Quilombolas e Comunidades Negras Rurais do município de Poconé/MT, decidiu retomar a luta pela melhoria da estrutura e funcionamento das escolas das comunidades. Um primeiro passo foi realização de um levantamento sobre a estrutura e funcionamento destes estabelecimentos educacionais.

            Constatou-se:

1 - que ocorreu um processo de fechamento de escolas das comunidades e concentração de alunos (as) em escolas pólo.

2 - Nestas escolas, em sua maioria localizadas, fora das comunidades quilombolas e das comunidades negras rurais também estudam crianças e jovens provenientes de assentamentos de reforma agrária, outros tipos de comunidades tradicionais e em alguns casos de sede de distritos.

 3 - Em algumas localidades houve a manutenção de escolas de 1ª a 4ª series, geralmente em classes multiseriadas.

4 – Situação das escolas localizadas nas comunidades

4.1 - as escolas (73%) apresentam mal estado de conservação da estrutura (pintura, telhado, janelas e sanitários);

4.2 – na maior parte das escolas a pintura, piso, quadro negro precisam de reparos;

4.3 – As carteiras, mesas e armários se encontram em mal estado de conservação,

4 4 - não possuem TV, DVD, antenas parabólicas, geladeira, fogão, e quando os têm, os mesmos não funcionam adequadamente;

4 5 – normalmente têm apenas uma sala de aula e apenas uma professora;

4.6 – são inexistentes ou escassos os materiais pedagógicos

4.7 – também são insuficientes a capacitação e o acompanhamento dos professores (as).

 

Situação das Escolas Pólo.

5.1 - As escolas pólos apresentam melhores condições físicas,

5.2 - os materiais pedagógicos, capacitação e assessoria pedagógica aos professores (as) também são insuficientes, sendo semelhantes aos das escolas localizadas nas comunidades. 

5.3 - Outra grave deficiência encontrada nas Escolas Pólo é o fato de algumas disciplinas como Física, Química e Matemática serem ministradas por professores (as) não formados nas mesmas.

 

Em decorrência do resultado da pesquisa, foram realizadas uma Audiência Publica e uma reunião de trabalho para discutir as condições de funcionamento das referidas escolas, havendo a participação da Secretaria Municipal de Educação, Executiva das Comunidades, representantes do Conselho Estadual de Educação, e equipe de apoio da Executiva Quilombola. Entretanto, ainda não foram tomadas medidas que pudessem solucionar os problemas constatados nas escolas.

Palavras chaves – comunidades quilombolas e comunidades negras rurais, escolas; Condições de funcionamento; Estado de Mato Grosso, Políticas Publicas.

  

INTRODUÇÃO      

            Nos textos da parte III Educação Formal e Informal nas Comunidades Negras Rurais do livro “Dimensões da Inclusão no Ensino Médio: Mercado de Trabalho, Religiosidade e Educação Quilombola Organizado por Maria Lúcia de Santana Braga, Edileuza Penha de Souza e Ana Flávia Magalhães Pinto (2006) são relatados as precariedades do funcionamento de escolas localizadas em comunidades negras rurais em diferentes estados brasileiros.

            O objetivo deste texto é apresentar as ações das comunidades quilombolas e das comunidades negras rurais do município de Poconé/MT para conseguirem melhorias da estrutura e funcionamento das escolas localizadas nas comunidades, ou que estudam alunos (as) provenientes dos agrupamentos quilombolas ou negros rurais. Secundariamente, visa apresentar os dados da pesquisa realizada em 2011/2012 nas escolas das comunidades quilombolas e comunidades negras rurais do município de Poconé/Estado de Mato Grosso,


O levantamento das condições destas escolas foi realizado pelos membros da Executiva da Coordenação das Comunidades Quilombolas e das Comunidades Negras Rurais de Poconé, com o auxilio da equipe de apoio ao Movimento Quilombola, formada por dois vereadores e do professor Antônio Eustáquio de Moura da Universidade do Estado de Mato Grosso/Campus de Cáceres e membro do Centro de Pesquisa e Museu de Antropologia, Etnografia, Arqueologia e Espeleologia da Unemat/Cáceres.

1 – Informações Gerais
            O município de Poconé está localizado na Baixada Cuiabana, sendo a sede do mesmo situada a 100 km de Cuiabá. É constituído por área do pantanal mato-grossense e pela região da morraria (área de cerrado e montanhosa).

            A economia do município é baseada na exploração de ouro, na criação de gado de corte, no turismo e na agricultura e criação de pequenos animais, destinados a subsistência das famílias.

            É um dos municípios mais antigos de Mato Grosso, tendo uma população em sua maioria de negra ou negra mestiça.

            Apresenta um dos mais altos índices de analfabetismo do Estado
         

2 - O Processo de Etnogenese da Identidade de Remanescente de Quilombo e de Territorialização das Comunidades Negras Rurais de Poconé

            De acordo com Pacheco de Oliveira o “Processo de Territorialização” é um movimento no qual um objeto político-administrativo [uma comunidade] vem a se transformar em uma coletividade organizada, formulando uma identidade própria, instituindo mecanismos de tomada de decisões e de representação, e reestruturando as suas formas culturais (1998, p.56).

            Segundo Pacheco de Oliveira o “processo de territorialização” por que passa uma comunidade implica em diversas mudanças tais como: 1) a criação de uma nova unidade sociocultural, mediante o estabelecimento de uma identidade étnica diferenciadora; 2) a constituição de mecanismos políticos especializados; 3) a redefinição do controle social sobre os recursos ambientais; 4) a reelaboração da cultura e da relação com o passado.” (1998, p. 55).

            O processo de territorialização se inicia com uma ação do Estado, geralmente através de legislação especifica relacionada ao segmento social que é objeto da ação estatal. 

            No caso das comunidades negras, o referido processo começou com a Constituição Brasileira de 1988, através do Artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias- ADCT da Constituição Brasileira de 1988 e dos artigos 31 e 32 da referida Constituição.  No caso especifico do Estado de Mato Grosso, também, houve a influencia da Legislação Estadual - Artigo 33 do ADCT da Constituição Estadual de 1989 e da Lei 7.775/2002 (vide anexos). 

            Fruto deste cabedal jurídico administrativo inúmeras comunidades negras rurais e urbanas assumiram a Identidade Quilombola e passaram a reivindicar os direitos previstos pela legislação existente, este processo de etnogenese continua crescente, tanto a nível federal quanto estadual. Em 2000, a Fundação Cultural Palmares divulgou a existência de 743 (setecentos e quarenta e três) comunidades no Brasil, com localização em quase todos Estados Brasileiros, e no caso de Mato Grosso, a referida entidade indicou a existência de 2 comunidades (FUNDAÇÃO CULTURAL PALMARES, 2000, p. 19).  Estes dados foram ampliados no decorrer do tempo, de forma que segundo o Ministério de Desenvolvimento Social e de Combate a Fome – MDS a Fundação Cultural Palmares mapeou 3.524 (três mil e quinhentos e vinte e quatro) comunidades quilombolas no Brasil, mas outras fontes, no entanto, estimam que sejam 5 mil comunidades.  Em Mato Grosso, o Conselho de Promoção da Igualdade Racial de Mato Grosso- CEPIR/MT afirma que existem em torno de 160 comunidades quilombolas.

            Entretanto apesar da expressividade desses números, muito pouco esta sendo feito para a concretização das Políticas Publicas preconizadas pela Legislação Federal e o Programa Brasil Quilombola.  Um dos comprovantes desta lentidão é o numero de comunidades que receberam o Certificado de Comunidade Remanescente de Quilombo, emitido pela Fundação Cultural Palmares, o que habilita a comunidade a obter as Políticas Publicas destinadas as Comunidades Quilombolas.  Apenas 1.667 (hum mil e seiscentos e sessenta e sete) comunidades foram certificadas no Brasil e 65 (sessenta e cinco) no Estado de Mato Grosso (FUNDAÇÃO CULTURAL PALMARES, 2011). Outro indicador importante do descumprimento da Legislação referente aos direitos das comunidades quilombolas é a pequena porcentagem gasta dos recursos federais e estaduais destinados aos remanescentes de quilombos.  Esta situação faz com que a Legislação sobre os Quilombolas e as instituições destinadas ao cumprimento das mesmas sejam consideradas como sendo para “Inglês Ver”, o que no ditado popular significa existe, mas não funciona.

            Essa situação fica expressa nos gastos dos recursos federais destinados aos quilombolas. No texto Brasil: Governo resiste a reconhecer territorialidade quilombola, Ricardo Verdum (2011) analisa os gastos do Governo Federal nos diversos programas destinados aos quilombolas concluindo que nos atores institucionais envolvidos no Programa Brasil Quilombola, em 2008 e 2009 o valor liquidado não alcançou a marca de 24% do orçamento autorizado, repetindo resultado semelhante ao de anos anteriores, e que o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e o INCRA, utilizaram somente 13,26%  do recurso autorizado em 2008 e 15,02% do autorizado em 2009.

           

Em Poconé
- Foi criada a Executiva das Comunidades Negras Rurais e das Comunidades Quilombolas do município.

- Uma intensa reelaboração da cultura local, ressaltando as manifestações culturais da população do quilombo e suas “raízes afro-brasileiras”. Esse processo inclui a introdução de um componente cultural e político nas festas de santo tradicionais, bem como a criação de manifestações culturais específicas para ressaltar a cultura e a identidade quilombola, tais como a Feira Cultural no Quilombo Mata Cavalo e as comemorações do “20 de Novembro Dia da Consciência Negra” pelas comunidades negras rurais e comunidades quilombolas de Poconé .

- A reelaboração da memória social através da valorização das "lembranças dos mais velhos" e do “enquadramento da memória”.  Esse enquadramento da memória implica na escolha de depoentes autorizados pelas lideranças locais, como verdadeiros "especialistas da memória" encarregados de guardar e divulgar a história das comunidades. 

Na valorização e divulgação da memória social do quilombo e de suas comunidades negras, há disputas entre memórias” concorrentes, no caso com as memórias das famílias de sem terra, das famílias negras que não se consideram quilombolas, e das Comunidades ou famílias que recusam a identidade de Comunidade Negra Rural ou de Comunidade Quilombola.

- A valorização de aspectos relacionados à identidade de remanescente de quilombos vistos positivamente, sobretudo a cultura quilombola, a preservação da natureza e o caráter não-mercantil da terra.

    A busca constante de obter aliados nos movimentos sociais, órgãos governamentais e ONGs;

- A procura em “dar visibilidade as comunidades, suas condições de vida e suas reivindicações através dos meios de comunicação de massa, manifestações e eventos (exposições, festas etc.).

            Não existe um consenso geral entre as famílias quilombolas, existindo divergências internas na forma de luta e encaminhamentos gerais. Em Campina de Pedra, algumas famílias não aceitam a Identidade de Remanescente de Quilombo e se recusam a continuar participando do Movimento Quilombola, apesar de participarem de outras atividades da comunidade.

Efeitos da pesquisa realizada nas Comunidades Negras Rurais de Poconé
            A partir de 2003, com a realização de pesquisa sobre comunidades negras rurais quilombolas, realizada pela UNEMAT- Universidade do Estado de Mato Grosso, iniciou-se a ”visibilidade” e organização das comunidades rurais de Poconé, foram levantadas 32 comunidades, o que torna o município o detentor de maior número de comunidades negras rurais do Estado de Mato Grosso. Esta pesquisa intensificou o movimento de valorização da identidade étnica no município, de modo que inúmeras comunidades negras rurais assumiram-se como quilombolas, iniciando um movimento para terem visibilidade, serem empoderadas e obterem os direitos fundiários, culturais, econômicos e sociais previstos na legislação nacional e estadual.

            Em 2006/2007 a Executiva da Coordenação das Comunidades Negras Rurais e das Comunidades Quilombolas de Poconé (a partir deste momento denominada apenas de Executiva da Coordenação das Comunidades) iniciou, conjuntamente com o prof. Antonio Eustáquio de Moura/Unemat, campus de Cáceres, um levantamento sócio-econômico e cultural das comunidades.  Neste processo de levantamento de dados houve também a participação da FUNASA e o apoio da Prefeitura Municipal de Poconé, IBAMA, Câmara de Vereadores, Sindicato de Trabalhadores Rurais, Cooperativa de Pequenos Produtores Rurais (COMPRUP), UNEMAT e bancada de vereadores que apóiam o movimento quilombola.

            Esse levantamento resultou em diversos benefícios para as comunidades negras rurais e quilombolas, dentre os quais se destacam a implantação de sistema simplificado de acesso a água (poços artesianos e rede de distribuição de água) e construção de Kits sanitários em diversas comunidades.

            Constatou-se nesta investigação as precárias condições de funcionamento das escolas localizadas nas comunidades e/ou que atendem alunos (as) provenientes das mesmas. Tal fato já era denunciado pelas lideranças destes agrupamentos rurais.

            Em 2011, a Executiva da Coordenação das Comunidades resolveu colocar como uma de suas prioridades a melhoria das escolas situadas nas comunidades quilombolas e nas comunidades negras rurais ou que atendem alunos e alunas destas comunidades. Um dos primeiros passos foi levantar a situação das referidas escolas. 

 
3 - Resultados da pesquisa realizadas nas escolas
3.1 - Dados sobre as escolas localizadas nas comunidades e/ou que atendem alunos (as) provenientes das mesmas

Condições físicas das Escolas

A1) Condições dos prédios
            Nas escolas localizadas nas comunidades, constatou-se problemas nos telhados, piso interno, piso externo, pinturas, janelas, sanitários, instalações elétricas, quadro negro.

73 % das escolas necessitam de reformas, destas 37% precisam de grandes reformas.

Em 2011 a prefeitura realizou reformas em duas escolas, sendo uma feita com recursos e mão de obra próprios e outra através e convenio com o SENAI.

            Nas Escolas Pólos de Cangas e Faval as condições dos prédios são regulares, necessitando de pequenas reformas. A escola do Km 120 é nova e esta em boas condições, ao passo de que as instalações da Escola do Distrito de Chumbo são precárias (telhado, paredes, janelas, instalações elétricas etc.) necessitando ser inteiramente reconstruída.

Escolas localizadas nas comunidades (que continuam funcionando)
Estrutura (paredes, telhado, piso, portas, janelas, instalações elétricas)

            -Escolas de alvenaria (acima de 90%)

            - piso cimentado
            - constatamos que 73% das escolas apresentavam mal estado de conservação da estrutura (pintura, telhado, janelas)

            - sanitários sem condições de uso devido má conservação e/ou falta de água        encanada;
            - pisos externos

Mobiliário (carteiras, mesas e armários)
            - em mal estado de conservação.
            - grande numero imprestável devido a estragos diversos
            - insuficientes em algumas escolas

Estrutura
            - maioria tem apenas uma sala de aula
            - não tem (refeitório, despensa, biblioteca)

Quadro funcional das escolas
            - professora (1)
            - Auxiliar de serviços gerais (0)
            - vigia (0)
            - merendeira (0)

A maior parte das professoras (es) reside em outras localidades, não sendo de comunidades negras rurais ou quilombolas.

Cozinhas
            - quando existem são pouco aparelhadas, não possuem fogão, geladeira e/ou                    frízer, pias


Equipamentos auxiliares das atividades pedagógicas (vídeo cassete, Aparelho de DVD, televisão, data show, antena parabólica, Internet, mimeografo)
            - inexistentes
            - Mal conservados de forma que a maioria não funciona

Sistema de comunicação
            - Não possuem telefone
            - raras possuem Internet, mesmo assim muito lenta

Merenda
            - sem local adequado para armazenar
            - queixas de interrupção do abastecimento
            - Alimentos industrializados (macarrão, arroz, carne de jabá, bolacha e suco                     artificial;
            - apenas uma escola utilizava legumes e verduras provenientes da região (mas      não da nidade)

 
            - queixas em relação a merenda escolar
                        - As vezes escolas ficam sem alimentos para preparar a merenda;
                        - alguns alimentos, principalmente a carne seca, chegam mal conservados
                        - merenda não ter verduras, legumes e carne fresca

                         
           As escolas localizadas nas comunidades têm dificuldade de preparar merendas, pelo fato da maioria não disporem de cozinha, fogão e geladeira.  Na maioria delas a merenda é preparada em casas da comunidade pela professora, ou moradora das comunidades, pois as escolas não têm merendeira nem faxineira.

 
- Participação da comunidade no planejamento das ações e funcionamento das escolas.
As escolas, e as vezes a igreja local, são utilizadas para reuniões feitas na comunidade ou pela comunidade.
Entretanto é reduzido o poder da comunidade para colocar professoras, realizar alterações no currículo escolar ou calendário escolar
 

- Bibliografia e Materiais pedagógicos (brinquedos, mapas, DVDs, CDs etc.).
Na maioria das escolas localizadas nas comunidades os materiais pedagógicos eram poucos ou inexistentes.
As escolas pólo apesar de terem estes materiais, os mesmos são insuficientes, havendo problemas de colocá-los a disposição dos alunos (as) por falta de bibliotecas ou pessoas para trabalhar nas mesmas.

 
4 - Lutas das Comunidades Quilombolas e das Comunidades Negras Rurais para a melhoria da estrutura e do funcionamento das escolas que atendem alunos e alunas das comunidades.

            Apesar de haver leis que, direta ou indiretamente, podem respaldar a existência de escolas quilombolas bem estruturadas e com condições idéias de funcionamento (Legislação sobre Educação no Campo, Lei Estadual 7.775/2002, Lei 10.639/2003 e Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira etc.).   Estas legislações pouco tiveram efeitos nas escolas que localizadas nas comunidades quilombolas e nas comunidades negras rurais, ou escolas que atendem alunos (as) destas localidades.

            Em 2006 a Executiva da Coordenação das Comunidades fez diversas reivindicações para a melhoria da educação destacando as seguintes:

1 - Que seja revisto a atual localização das escolas pólos, visando diminuir as distâncias e o tempo das viagens dos alunos (as) até as escolas;

2 - Estruturar as escolas nas comunidades quilombolas para que os alunos (as) não precisem estudar em outras escolas;

3 – Fornecimento para as escolas quilombolas e as Escolas Pólos de materiais pedagógicos de qualidade específicos para a Educação no Campo e Educação de crianças e jovens quilombolas;

4 – Introduzir a informática (computadores, Internet etc.) nas escolas quilombolas e escolas pólos;

5 – Capacitar os professores (as) das Escolas Quilombolas e das Escolas Pólos para atuarem com a Educação no Campo e a Educação Quilombola;

6 – Garantir o acesso ao transporte escolar, com qualidade e periodicidade, aos estudantes das comunidades rurais;

7 – Dar condições aos jovens quilombolas de estudarem em cursos técnicos e cursos universitários.
    

            Grande parte das reivindicações era para as escolas municipais, entretanto, pouco foi realizado pela Prefeitura Municipal de Poconé para atender as referidas solicitações.

            Em 2011/2012, atendendo as queixas formuladas pelos moradores (as) das comunidades e suas lideranças a Executiva da Coordenação das Comunidades, com auxilio dos apoiadores (dois vereadores e o professor Antonio Moura da UNEMAT, realizaram um levantamento da estrutura e funcionamento das escolas localizadas nas comunidades quilombolas ou que atendem alunos (as) destas comunidades, constatando a precariedade das escolas.

            Em decorrência do resultado da pesquisa, foram realizadas uma Audiência Publica e uma reunião de trabalho para discutir as condições de funcionamento das referidas escolas, havendo a participação da Secretaria Municipal de Educação, Executiva das Comunidades, representantes do Conselho Estadual de Educação, e equipe de apoio da Executiva Quilombola.  Estas reuniões visavam apresentar os resultados da pesquisa e buscar soluções para os problemas encontrados, junto a Prefeitura Municipal, Governo do Estado e órgãos do Governo Federal.  Entretanto, ainda não foram tomadas medidas concretas que pudessem solucionar os problemas constatados nas escolas. 

            A causa principal desta demora é a posição da Prefeitura Municipal de Poconé, em não aceitar a participação das comunidades (entre elas as quilombolas e as negras rurais) no planejamento e execução de Políticas Publicas.  Isto reforça a posição de alguns membros da Executiva da Coordenação das Comunidades Quilombolas e Comunidades Negras Rurais de radicalizarem suas ações, solicitando ações do Ministério Publico Federal, e também realizando mobilizações das comunidades visando obter as melhorias solicitadas.

 

 

BIBLIOGRAFIA

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TEXTOS E DEBATES. Terras e Territórios de Negros no Brasil. Florianópolis: NUER, UFSC


ANEXOS
 

PAUTA DE REIVINDICAÇOES DAS COMUNIDADES NEGRAS RURAIS

QUILOMBOLAS DO MUNICIPIO DE POCONÉ/MT

 
             Nos moradores e moradoras das Comunidades Negras Rurais Quilombolas de Poconé/MT reunidos no 1º Encontro de Comunidades Negras Rurais Quilombolas do município de Poconé/MT, realizado no CAP/SESC Pantanal em Poconé em 29 de julho de 2006, e posteriormente na continuação deste Encontro durante as Comemorações da “Consciência Negra” realizada na Comunidade de Campina de Pedra em 25 de novembro de 2006, decidimos: 1- constituir uma Coordenação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas de Poconé, composta por representantes de todas as Comunidades Negras Rurais de Poconé; 2- elaborar uma pauta de reivindicações a serem negociadas com a Prefeitura Municipal de Poconé, Governo do Estado de Mato Grosso, órgãos federais e estaduais, ONGs, e Movimento Sociais; 3 - formar uma Coordenação Executiva das Comunidades Quilombolas de Poconé, encarregada de representar todas as Comunidades Negras Rurais Quilombolas de Poconé e fazer as negociações da Pauta de Reivindicações com os órgãos competentes.

1 - Pauta de Reivindicações:

1- Regularização Fundiária

Que seja agilizado os processos de reconhecimento das Comunidades Negras Rurais Quilombolas de Poconé, e a regularização fundiária de suas terras, recuperando as terras perdidas no passado e garantindo o uso das terras de acordo com a especificidade de cada comunidade.

 
 – Educação
2.1 - Que seja revisto a atual localização das escolas pólos, visando diminuir as distâncias e o tempo das viagens dos alunos (as) até as escolas;

2.2 - Estruturar as escolas nas comunidades quilombolas para que os alunos (as) não precisem estudar em outras escolas;

2.3 – Fornecimento para as escolas quilombolas e as Escolas Pólos de materiais pedagógicos de qualidade específicos para a Educação no Campo e Educação de crianças e jovens quilombolas;

2.4 – Introduzir a informática (computadores, Internet etc.) nas escolas quilombolas e escolas pólos;

2.5 – Capacitar os professores (as) das Escolas Quilombolas e das Escolas Pólos para atuarem com a Educação no Campo e a Educação Quilombola;

2.6 – Garantir o acesso ao transporte escolar, com qualidade e periodicidade, aos estudantes das comunidades rurais;

2.7 – Dar condições aos jovens quilombolas de estudarem em cursos técnicos e cursos universitários.

 
3 – Saúde
3.1 – capacitar os agentes de saúde, enfermeiros, médicos para trabalharem com a saúde dos afro-descendentes e trabalharem nas comunidades quilombolas;
3.2- Garantir o funcionamento dos postos de saúde nas comunidades quilombolas;
3.3 - Utilização de plantas medicinais nos tratamentos nos postos de saúde;


4 - Emprego e Renda
4.1 - Facilitar o acesso ao credito para produção para produtores, senhoras e jovens quilombolas;
4.2 – Possibilitar o acesso dos quilombolas ao Pronaf-ª

 

5 - Infraestrutura
5.1 – Possibilitar o acesso à energia elétrica (“Luz para Todos”) para as famílias quilombolas que ainda não têm acesso à energia elétrica;

5.2 – Possibilitar o acesso das comunidades quilombolas à água potável;
5.3 – Garantir recursos para a construção e melhoria de moradias das famílias quilombolas, respeitando as especificidades de cada comunidade e família;

5.4 – Construção de instalação sanitária (privadas) nas casas das comunidades quilombolas;

 

6 – Outras reivindicações
6.1 – Identificação e apoio às manifestações culturais quilombolas;
6.2 – Identificação e apoio às atividades econômicas das comunidades quilombolas;
6.3 – Apoio a organização das associações representativas das comunidades quilombolas;
6.4 – Criação dentro dos órgãos públicos de estrutura para tratar de assuntos relacionados às comunidades quilombolas;
6.5 – Que os órgãos públicos determinem e cumpram prazos para o cumprimento de atividades e ações para as comunidades negras rurais quilombolas

 


ANEXO 2 – Carta da Executiva Estadual Provisória das Comunidades Negras Rurais e Comunidades Quilombolas do Estado de Mato Grosso

Nós lideranças das comunidades negras rurais quilombolas do estado de Mato Grosso, Benedita Rosa da Costa da CONAQ – MT, Laura Ferreira da Silva da COEQ –MT (Coordenação Estadual Quilombola) e Maria Helena Tavares Dias também da COEQ-MT (Coordenação Estadual Quilombola),conhecemos o Ensino e Aprendizagem dos e nos Territórios Quilombolas do Estado de Mato Grosso,sabemos que esse processo se dá com dificuldades e com baixa qualidade nas comunidades quilombolas,visto que,os prédios onde os nossos educandos quilombolas buscam seus conhecimentos são de péssimas qualidades, os nossos professores não são assistidos com cursos de graduação, não há formação para eles, não tem materiais didáticos pedagógicos de qualidades, o calendário escolar não é diferenciado, na matriz curricular garante disciplinas que não identifica nossa origem enquanto afro-descendente e nem fortalece a nossa história auto afirmando nossa ancestralidade africana, as estradas são de péssimas condições do mesmo modo os transportes escolares, ambos dificultam a assiduidade do educandos nas aulas, assim, a educação quilombola está sendo feita por professores da cidade (Zona Urbana) que não conhecem e nem vivem a nossa realidade. Não há no setor educacional do estado uma gerencia muito menos uma coordenação que identifique, priorize e que possa acompanhar direcionar a implementar as Leis com ações afirmativas. Nós povo afro descendente, sabemos que os nossos ancestrais quando tirado a força do útero da mãe África marca o inicio de seus sofrimentos, vivenciando seus irmãos fragilizados morrerem de fome, sede e tendo os seus corpos jogados em alto mar mesmo antes da falência total, não tiveram o direito de falar a própria língua, de estudar, de exercer a sua cultura na religião, na culinária, nas vestimentas, na arte, não tiveram o direito de viver livremente, de expor o seu jeito simples e verdadeiro de ser, de mostrar a sua singela beleza, a sua competência, a sua habilidade, a sua criatividade, a sua originalidade, a espontânea vontade de manifestar os seus sentimentos de desejos, vontades, sonhos, carinho, respeito, felicidades, prosperidades, de cuidar, de zelar, de proteger, de intensamente amar e ser amado, porém, foram escravizados, chicoteados, amarrados em troncos, foram obrigados somente a servirem os seus senhores, foram obrigados a trabalhar e morar em condições desumanas, a nascerem de suas almas, de perderem suas identidades, para servirem com trabalhos braçais, com suores dos rostos e com o sangue derramado, os novos continentes, os novos países, novas nações, conseqüentemente deu início a uma outra história, na qual, o negro foi antagonista passivo cooptado por luso-portugueses com ideologias eurocêntricas que descaracterizou o povo negro e desvalorizou sua etnia racial. Tudo isso, para tornar o universo maior, mais extenso e mais populoso, onde o homem poderia ter mais espaços para dominar e empoderar seu egoísmo e desrespeito pelo seu semelhante. É evidente que a origem, a fundação, o desenvolvimento e a ascensão sócio-econômico-político e cultural do Brasil teve como contribuição a cultura das etnias raciais africanas e das etnias raciais indígenas que já habitavam esta nação e que, hoje em extinção por não ser aceitável, belo e agradável. A Constituição da República Federativa do Brasil garante a Educação por direito,contudo não garantiu uma Educação Diferenciada para o povo negro,não reconheceu o povo africano como protagonista historicamente da formação do povo brasileiro.Por isso,queremos que sejamos reconhecidos e valorizados como protagonistas de nossas histórias e das histórias de nosso País.Solicitamos que a educação nos quilombos sejam diferenciadas e de qualidades. No entanto, fomos delegadas enquanto lideranças quilombolas pelo nosso povo, para participarmos do CONAPEE (Conferencia de Avaliação do Plano Estadual de Educação) no período de 15 a 18 de novembro de 2011, no Hotel Fazenda Mato Grosso em Cuiabá - MT, na qual, apresentamos Moção de apoio de que  1°: a Educação Escolar Quilombola passe a ser considerada uma modalidade  de ensino ( Modalidade de Educação Quilombola ), 2°: que seja criado no setor de diversidade da SEDUC-MT, um setor especifico de Educação Quilombola. Este documento, foi entregue nas mãos da senhora Rosa Neide que estava Secretária estadual de Educação. Esta Moção foi entregue, também, ao Conselho Estadual de Educação (CEE/MT), na 4ª Reunião Extraordinária de Plenária, realizada no dia 13 de dezembro de 2011 que teve como pauta o Processo Educativo sobre a História do Negro e a Cultura Negra nos Quilombos de Mato Grosso. Após a explanação e amplo debate,o colegiado Manifestou apoio e  deliberou que fosse expedido ofício e cópia da referida Moção ao senhor Ságuas Moraes Sousa que está Secretário Estadual de Educação,solicitando providências urgentes da Seduc/MT,com cópia também para o presidente da Assembléia Legislativa do estado de Mato Grosso,senhor José Rivas.Contudo, para que a nossa solicitação torne discussão nacional no Fórum do Conselho Nacional de Educação,no Conselho Nacional de Educação,na Fundação Cultural Palmares e na SEPPIR,para que seja fortalecida,apoiada e aprovada pela CONAQ Nacional,para que o nosso povo quilombola tenha uma educação de qualidade por direito.Evidenciamos e protocolamos aqui a nossa pauta de reivindicação,considerando a Lei Estadual 7.775,de 26 de novembro de 2002,a Lei Federal 10.639/2003,a Lei 11.645/2008 e as propostas da CONAE/2010 que tratam da Educação Escolar Quilombola.Por isso,solicitamos da CONAQ nacional apoio para que possamos fortalecer a nossa reivindicação e que ela possa ser consolidada e  tenha visibilidade,tornando pauta de discussão nacional.Encaminhamos cópia da Moção de Apoio e do ofício que o senhor Aguinaldo Garrido, presidente do Conselho Estadual de Educação (CEE/MT ) expediu ao senhor Secretário Estadual de Educação.

 

Lei Estadual 7.775 de 26 de Novembro 2002
 Lei que institui o Programa de Resgate Histórico e Valorização das Comunidades Remanescentes de Quilombos em Mato Grosso,

Art. 1º - Tendo como base o art. 68 das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição da República Federativa do Brasil, fica instituído o Programa de Resgate Histórico e Valorização das Comunidades Remanescentes de Quilombos em Mato Grosso, com o objetivo de desenvolver as seguintes atividades:
            - identificar e demarcar os territórios ancestrais e as terras remanescentes de quilombos no Estado de Mato Grosso;
            - promover o levantamento e a legalização dessas áreas, por meio do INTERMAT;
            - promover o levantamento histórico e cultural dessas comunidades por meio da Secretária de Estado de Cultura e da UNEMAT;
            - identificar projetos culturais para enquadramento nas leis de incentivo à cultura;
            - apoiar a implementação de projetos de desenvolvimento comunitário, agrário e social;
            - abrir linhas de credito para o turismo cultural e ecológico, a fim de viabilizar as comunidades remanescentes.

Art. 2º O Estado, a partir do levantamento histórico e cultural dessas comunidades, incluirá no currículo escolar obrigatório de Mato Grosso o estudo da história dos quilombos em Mato Grosso e das suas características culturais.

Art. 3º VETADO

Art. 4º Esta lei entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

 

 

 

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